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Tarifas e impostos sobre importados: o que muda no varejo nacional

Por Aline Mazala 7 minutos de leitura
Tarifas e impostos sobre importados: o que muda no varejo nacional
Lojista de e-commerce analisa tarifas e impostos de produtos importados
Imagem meramente ilustrativa: Magnific

O que acontece com o varejo brasileiro quando um produto vindo da China chega mais barato do que o mesmo item na prateleira da loja nacional? Em setembro de 2026 entrou em vigor de forma definitiva a lei que encerrou a chamada “taxa das blusinhas”, e a nova configuração de tarifas e impostos sobre compras internacionais redesenhou as contas de quem vende produtos importados no país.

A mudança não é só técnica, ela mexe na margem, na precificação e na estratégia de qualquer loja que depende de itens vindos de fora e pede leitura rápida de quem quer seguir competitivo.



Tarifas e impostos em importados: o essencial

Antes dos detalhes, o resumo do que passou a valer:

  • A taxa das blusinhas foi zerada: o Imposto de Importação federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 caiu a zero. A regra vale desde 13 de maio de 2026 e foi sancionada como lei em 10 de setembro de 2026 (MP 1.357/2026).
  • O ICMS estadual continua: toda encomenda internacional segue tributada entre 17% e 20%, conforme o estado, dez deles subiram a alíquota para 20% em abril de 2025.
  • Acima de US$ 50 a regra mudou pouco: para compras de US$ 50,01 até US$ 3 mil, o Imposto de Importação segue em 60%, agora com dedução fixa de US$ 30.
  • O varejo nacional reagiu contra: entidades como a CNC e a FecomercioSP defendem manter a cobrança, alegando quebra de isonomia tributária diante de vendedores estrangeiros.
  • O efeito vai além de roupa: eletrônicos, calçados, cosméticos, brinquedos e materiais de construção estão entre os segmentos monitorados pelo governo.
  • A conta é alta: o Ministério da Fazenda projeta renúncia de quase R$ 10 bilhões entre 2026 e 2028 com o fim da cobrança.

O que mudou nas tarifas e impostos sobre compras internacionais

A taxa das blusinhas nasceu em agosto de 2024, dentro do Programa Remessa Conforme, para cobrar 20% de Imposto de Importação em compras internacionais de até US$ 50 (a faixa onde entram a maior parte dos pedidos feitos em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress). A ideia era aproximar a carga tributária do produto importado da que recai sobre o varejista nacional.

Em maio de 2026, a MP 1.357/2026 zerou essa alíquota federal. O Congresso aprovou o texto no início de setembro e a sanção presidencial saiu em 10 de setembro, tornando a mudança definitiva. O que sobrou de tributação nas compras de até US$ 50 é o ICMS estadual, que varia entre 17% e 20%.

Faixa de compraAntes (até maio/2026)Agora
Até US$ 5020% de Imposto de Importação + ICMS0% de Imposto de Importação + ICMS (17% a 20%)
US$ 50,01 a US$ 3 mil60% de Imposto de Importação + ICMS60% com dedução fixa de US$ 30 + ICMS
ICMS estadual17% a 20%17% a 20% (inalterado)

O ponto prático: um produto de US$ 30 que antes chegava com 20% de imposto federal agora entra sem essa cobrança, pagando apenas o ICMS. Na ponta, isso significa preço final menor para o consumidor que compra direto de fora.


Por que o fim da taxa das blusinhas pressiona o varejo nacional

Aqui está o incômodo do setor. Ao baratear a compra direta do exterior, a medida amplia a distância entre o preço do importado e o do produto vendido pela loja brasileira (que carrega custos tributários, trabalhistas, logísticos e de estrutura física que o vendedor de fora não tem).

A reação foi organizada. Em junho de 2026, 63 entidades, entre elas a FecomercioSP, assinaram um manifesto pela manutenção da cobrança. A Confederação Nacional do Comércio argumentou que a taxa funcionava como instrumento de isonomia tributária entre empresas nacionais e estrangeiras. O setor também lembra que a disputa não se restringe a vestuário, ou seja, eletrônicos, calçados, cosméticos, brinquedos e materiais de construção sentem o mesmo efeito.

Para o governo, a decisão tem custo fiscal claro. A arrecadação com a taxa foi de cerca de R$ 5 bilhões em 2025, e a Fazenda estima abrir mão de quase R$ 10 bilhões entre 2026 e 2028. Por isso, a própria lei prevê revisões: uma primeira análise em até três meses, depois avaliações a cada seis meses e relatório anual ao Congresso, acompanhando emprego, preços, competitividade e volume de compras.


Como quem vende importado pode se preparar

O cenário não é só de ameaça. Ele obriga a uma revisão que, feita agora, protege a operação nos próximos trimestres.

O primeiro passo é reprecificar com dados na mão. Vale comparar o custo de importar comercialmente e revender com o preço que o consumidor encontra comprando direto de fora. Onde a diferença ficou insustentável, o caminho é rever fornecedores, renegociar volumes ou ajustar o mix de produtos.

O segundo é competir onde o importado direto é fraco: prazo de entrega, atendimento em português, política de troca, garantia, curadoria e pós-venda. Quem compra em plataforma internacional aceita esperar semanas e abre mão de suporte local e esse é justamente o espaço do varejo nacional.

Por fim, acompanhar de perto as revisões periódicas da lei evita ser pego de surpresa. A regra pode mudar de novo conforme os relatórios do Ministério da Fazenda, e ajustar margem e estoque com antecedência custa menos do que reagir depois.


O que fica

O fim da taxa das blusinhas reorganiza as tarifas e impostos que definem o preço do importado no Brasil, e o efeito recai sobre quem vende esses produtos aqui dentro. Não é um ajuste pontual, é uma mudança de patamar competitivo que pede reprecificação, diferenciação e atenção às próximas revisões da lei.

Para continuar acompanhando o que move a tributação e a operação do e-commerce, vale explorar os outros conteúdos do blog da e-Plus, onde seguimos de perto as decisões que mudam as contas do varejo digital.


Perguntas frequentes sobre tarifas e impostos em importados

O que é a taxa das blusinhas?

Taxa das blusinhas é o apelido do Imposto de Importação federal de 20% que passou a incidir, em agosto de 2024, sobre compras internacionais de até US$ 50. O nome vem das roupas baratas compradas em sites estrangeiros, embora a cobrança alcançasse eletrônicos, cosméticos e outros itens de baixo valor.

A taxa das blusinhas acabou de vez?

Sim. A alíquota federal de 20% sobre compras de até US$ 50 foi zerada pela MP 1.357/2026, em vigor desde 13 de maio de 2026 e sancionada como lei em 10 de setembro de 2026. A lei prevê revisões periódicas, então a regra pode ser reavaliada no futuro.

Quais impostos ainda incidem sobre compras internacionais?

Mesmo com o fim da taxa federal, o ICMS estadual continua sendo cobrado sobre toda encomenda internacional, com alíquota entre 17% e 20% conforme o estado. Compras acima de US$ 50 seguem sujeitas ao Imposto de Importação de 60%, com dedução fixa de US$ 30, mais o ICMS.

O fim da taxa das blusinhas é bom ou ruim para o varejo nacional?

Depende do lado. Para o consumidor, significa produto importado mais barato. Para o varejo nacional, aumenta a pressão competitiva, já que a loja brasileira mantém custos que o vendedor estrangeiro não tem. Entidades do setor pedem a revisão da medida por essa razão.

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